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Fred Forest - Retrospective
Sociologic art - Aesthetic of communication
Exhibition Generative art - November, 2000
Exhibition Biennale 3000 - Sao Paulo - 2006
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DIFFERENT TEXTS
1 - Synthetisis note on the activities of Fred Forest
2 - Manifests Sociological Art (1974) and Aesthetics of the Communication (1983)
3 - The Aesthetics of the Communication by Fred Forest (1983)
4 - For an Aesthetics of Communication - Fred Forest
5 - The Video family by Fred Forest (1976)
6 - Learn to watch TV through the radio by Fred Forest and Pierre Moeglin (1984)   
7 - Why present his candidacy for President of the Bulgarian TV by Fred Forest (1991)

 

A ARTE PLANETÁRIA DE FRED FOREST

Derrick de KERCKHOVE (Toronto, julho de 1993 )

Diretor do Programa Marshall Mac Luhan da Universidade de Toronto.

Desde os anos 1970, quando encontrei Fred Forest na presença de Marshall Mac Luhan, que se interessava por sua prática artística, não parei mais de cruzar com ele; seja em São Paulo, Berlim, Salerno… ou ainda em seu próprio " Território" em Anserville ! Forest foi um dos primeiros a compreender que a mídia não se destina a ela mesma. Como se a eletricidade pudesse substituir a pintura, ou como se para Nam June Paik bastasse empilhar alguns aparelhos de televisão para fazer uma obra... O problema profundo que inspiram freqüentemente as produções de vídeo-arte e instalações utilizando as caixas ou os conteúdos do vídeo é, precisamente, que, na maior parte do tempo, o público é excluído da experiência. O mérito de Forest é ter sido um precursor no domínio de uma interatividade introduzida no campo da arte.

Em um primeiro momento, por meio da arte sociológica, tendo a participação do público; em um segundo, com a noção do dispositivo tecnológico, amplamente utilizado na Estética da Comunicação.

A sensibilidade de Forest não é plástica, mas preferencialmente neurológica. Antigo empregado dos Correios na Argélia, ele obteve com este trabalho um conhecimento empírico e intuitivo das redes. Em outro sentido, a obra do carteiro Forest é tão desconcertante quanto a do carteiro Cheval, mas é muito mais exigente. Cheval edifica sua casa como sonho, lugar fixo, refúgio para esquecer seus passeios postais. Forest não constrói seu universo com conchas, mas com os sons que elas contêm; os quais dizem fazer eco aos murmúrios do oceano.

Em Salerno (I), o eco do oceano eletrônico era ritmado pela tonalidade repetitiva e lancinante do telefone italiano. As campainhas nacionais têm “vozes” que lhes são próprias, que refletem, talvez, para cada país, um certo estado de espírito. O telefone canadense tem modulações burocráticas. Sete pequenas notas sintetizadas, precedidas por leves zumbidos que assinalam imperativamente que não se quer perder tempo. Alguns telefones de zonas rurais, em países longínquos (e cada vez mais raros...) demonstram, ao contrário, com sua languidez demorada, que dispõem-se de todo o tempo necessário... No momento da experiência de Forest, realizada em Salerno, utilizando de uma só vez a tele-difusão e a rede telefônica, éramos uns trinta participantes estupefatos pela dupla fascinação da tela catódica e a campainha encantatória do telefone. Os olhos fixos em uma tela durante uma emissão regional, na qual não se vê nada além de um aparelho telefônico, em primeiro plano, que toca! Sem dúvida, Forest, ao utilizar seu dispositivo, tinha como objetivo criar em nós um fenômeno de tensão que devia tentar produzir prazer, por seu próprio encerramento. Porém, Forest já tinha desaparecido da sala de performance, montando uma motocicleta que o levava pelos estúdios da TV. Com o toque do telefone de Salerno, como em tantas outras animações de sua invenção, Forest manipulava várias redes de interação: rede telefônica, televisual e rodoviária. A motocicleta, além de seu poderoso valor dramatúrgico e ritual servia também como instrumento e como paródia mecânica para os contatos eletrônicos. Ele mostrava assim, a superposição das eras eletrônicas e mecânicas... Sua pessoa física dirigia-se para onde sua presença “técnica” já estava virtualizada desde o início.

Como o Homem-Aranha, Forest havia tecido, habilidosamente, uma teia de aranha eletrônica. Fazendo isso, ele repetia o gesto do técnico ou do industrial que se equipa com um sistema apropriado às suas necessidades. Forest, ao lidar com um registro sensorial, endossava com esta demonstração o duplo papel de iniciador e de modelo. Ele se propunha como o ponto modular, módulo neuro-tecnológico, por onde passam as correlações técnicas e biológicas. Este papel modular é desempenhado por nós sem que nos demos conta, a cada vez que seguramos o telefone, que olhamos a televisão ou que escutamos o rádio, tornamo-nos automaticamente, o instrumento fisiológico de diversas interações técnicas destas poderosas ferramentas ambientais, que participam doravante da maneira mais íntima possível de nossa existência. O que podemos aprender com uma experiência  como a do toque do telefone de Salerno? Como funciona o telefone? A motocicleta? A televisão? Não, o que aprendemos é como estas diferentes extensões do nosso corpo e do nosso sistema nervoso estão coordenadas ao nosso uso. Acreditamos injustamente que somos os “conteúdos” deste ambiente técnico. Projetamos sobre o novo mundo eletrônico o quadro espaço-temporal que nos legou nossa tradição alfabetizada. O que Forest tenta nos fazer compreender, ao obrigar-nos a passar por experiências singulares, é que somos os “recipientes” desta mídia, da mesma maneira que contemos nosso próprio sistema nervoso e, tanto quanto possível, nossa própria psicologia.

Cada coisa, portanto, está mudando em nossa maneira de ser no mundo. A tarefa da arte é precisamente tirar-nos de nosso próprio torpor.

O que se entende por estética da comunicação é a expressão artística de um projeto: explorar os limites e as formas dos meios de comunicação em suas implicações psicológicas e sociais para introduzi-los na imagem que fazemos de nós mesmos. Evidentemente, não é preciso, para isto, se limitar ao fetichismo dos novos meios técnicos dos quais dispomos.

Entretanto, se a estética das comunicações tende à favorecer a exploração das mídias e, particularmente, das mídias eletrônicas mais que das tipográficas, é porque estas têm sempre algo de novo, de incompreendido, de não percebido. Além disso, são precisamente estas mídias que reintroduziram os problemas de estética, ou seja, de sensação e de percepção, em um universo ainda dominado pelos problemas de representação, de abstração e de conceituação. A escrita, isto deveria ser conhecido do início ao fim, “dessensorializou” e fragmentou a comunicação humana. É a única tecnologia da comunicação que atingiu este grau de abstração, exceção feita talvez, a algumas utilizações do computador que, guardadas as devidas proporções, é seu equivalente eletrificado. Todas as outras mídias começam dirigindo-se ao sentido antes de comunica-lo.

Com respeito à comunicação em geral e às novas técnicas em particular, o papel da arte não é episódico, mas central. Efetivamente, a tecnicidade destas mídias e sua utilização pelo mercado e pelo poder comportam finalidades que deixam apenas uma estreita margem de escolha às pessoas implicadas, os administradores e os administrados. Não existe jogo quando o que estaria em questão já foi resolvido.

O essencial é que o dispositivo seja organizado de tal maneira que ele consiga convidar os que estão envolvidas à perceber de outra forma os papéis e as funções dos meios manipulados, por eles mesmos ou por seus semelhantes, em circunstancias comuns. A estética da comunicação não é uma teoria, – apesar de algumas tentativas de reduzi-la a isto – é uma prática. Ela não produz objetos, mas agencia as relações. Ela inscreve-se em uma dimensão temporal, tanto no gesto quanto no reflexo pontual que este gesto dá à situação da qual ele é contemporâneo. O revelador é que a maior parte dos artistas da comunicação não tem freqüentemente, na realidade, nada a comunicar. Para eles, basta constituir redes e interações diversas de tal modo que o próprio utilizador seja encarregado do conteúdo. Existem dois princípios básicos que é preciso considerar para compreender esta estética nova; de uma parte, que o conteúdo real de suas obras e performances é o usuário da rede; de outra, que a galeria ou o museu ideal destas atividades artísticas é o espaço das ondas e das comunicações.

Um grande número de artistas, utilizando as novas tecnologias, pensa que mudamos. É isto que os interessa e que eles querem exprimir. Começamos a mudar muito rapidamente desde Cézanne. Fomos convidados por ele, e pelos que seguiram as vias de exploração que ele abriu, a mudar nossa maneira de ver as coisas. Com a pintura abstrata, percebemos que podíamos suscitar em nós mesmos estados de sensibilidade que não tinham quase nada em comum com a obra-prima da figuração. Não tínhamos mais tanta necessidade de significações para experimentar sensações e mesmo idéias. Podíamos passar ao largo de definições e explicações, sem perder o benefício de uma interação completa com a obra.

Ver de outra maneira? Sentir de outra maneira? Mas como? Não é minha intenção substituir o que traduz-se em Forest, em Rokeby ou em Roy Ascott. Tudo o que adianto aqui, releva do meu próprio sentimento sobre o que me aparece como urgente hoje em dia. É por isto que insisto e entrego-lhes o que, para mim, constitui os fundamentos de uma estética da comunicação. Acredito que esta forma de arte convida-nos a perceber o mundo como o centro de nossa esfera psicológica, globalmente, preferencialmente que de acordo com os fragmentos oferecidos a cada um de nós pelas circunstâncias individuais. Ela convida-nos a modificar nossa percepção, cognitiva sem dúvida, mas, sobretudo sensorial de nossa própria imagem e a consciência que temos, para estendê-la às dimensões que as novas mídias dão-nos acesso.

Nota

(I) Performance : " Célébration du Présent ", " ART-MEDIA ", Teatro Verdi, Salerno, Itália, 4 de maio de 1985.

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